Era só uma canção

Finalmente aquela vontade de ganhar o mundo em apenas um final de semana chegou, entrou em meu peito feito flecha, sem chance ao alvo se mover. Foram feitas ligações, a procura do local perfeito, na esperança de achar o olhar que esquentasse o peito. A vontade de uma canção como trilha sonora de um tempo suspenso, casual mas do qual se lembra quando se deita na cama depois.

Na terceira tentativa eu te vi, quando já estava fechando a conta e encerrando com um balanço negativo. De repente, pronto, você sorriu e ficamos a distancia apenas medindo passos, elaborando a aproximação e então aquela canção surgiu, a banda ouviu meus anseios e me guiou na coragem de chegar até você. Eu que sempre me deixei levar, só queria te levar dali, te conhecer e poder sem gritos, te ouvir.

Era só uma canção, a última da noite. A despedida da banda sem bis ou aplausos para um retorno. A última canção da noite, era a nossa canção de uma vida. Você, nos meus braços e aquele sorriso que eu sinto quando você acorda ao meu lado, quando aquece meu pé gélido ou reclama da coberta que não esquenta. E aquele tom suave da tua voz é que me embala na vida, quando sinto o seu sentido percorrer o meu cabelo, e me perco na tua dança.

Era só uma canção, e o amor da minha vida que chegava para me colocar na pista, na trilha certa do alvo que eu queria acertar, o alvo que era meu próprio coração com medo de se apaixona1600x800--lesbische-liefde-7412949-1-eng-gb-deze-11-dingen-gebeuren-altijd-in-films-over-lesbische-liefde-jpgr.

  • Lu Martins

A menina do acaso

De repente você sai de casa, decidida a explorar o mundo, às possibilidades, se deixar levar pelo que o acaso preparou para você. Sem muitas expectativas, passo lento, manso e de repente ela chega. Envolta em uma surpresa boa, cheia de detalhes que te fazem parar, olhar e ficar imaginando como seria trocar algumas palavras. Ela passa por você suavemente, como uma brisa de primavera em dias quentes.

Você fica presa naquela imagem, naqueles gestos, naquela voz que troca poucas palavras com outro desconhecido na rua, mas aí os caminhos deixam de se cruzar ali, na próxima esquina e você fica apenas sorrindo, encantada por ter começado o dia tão bem. Ao mesmo tempo se perguntando se poderia não ser acaso, mas começar a ser sua rotina

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e quem sabe ter uma oportunidade de ganhar aquele sorriso direcionado a você.

O dia segue lento, você ainda com aquele pensamento. E se foi coisa apenas de momento, ou seria o momento inicial de toda uma vida? Não, você não acredita mais em paixões a primeira vista ou em romances ideais. O próprio acaso te fez acreditar em coisas mais reais, e menos literais. Ainda assim o relógio é seu carrasco e você só quer voltar a ganhar a rua e procurar aquela menina que virou a esquina e bagunçou todo o seu dia.

Quem sabe, acreditar que não era nada de acaso, e sim predestinado aquele encontro. Então, sem querer, você a encontra ali sentada a sua frente do outro lado da rua. Seu coração dispara, e a coragem vem aos poucos, mas você sabe que tem que ser agora, que pode não ter outra chance. E você vai, afinal, o primeiro “oi” pode fazer valer toda a história no final, ou apenas um sorriso te dizendo que acreditar no melhor do novo dia ainda é seu ponto de partida.

 

– Lu Martins